rubra revolta

em protesto ao dia que não chegou, hoje eu passei batom.

era um daqueles dias esperados. daqueles que se espera com certo desespero. o dia não chegou e eu, em protesto, assumi o vermelho. não gosto da cor da minha boca porque é rubra demais. o inferno na cara. hoje resolvi que não disfarçaria. sangrando estamos, eu e ela.

o abre

a minha vontade é de gritar
– cachorro! maldito!
quando se vira para o lado e adormece
sem um beijo, sem um desejo
de que tudo melhore ou ao menos
volte a ser o que foi um dia,
ali atrás, logo ali…
e que por uma obra de um feitiço
se esvai a cada hora
pela ausência de vida e calor
pela extrema força do amor
que gera no ventre o oposto do amar,
com o abre “a nova hora de calar”.