prato cheio

com esse todo tanto de querer que tenho,
nada mais adianta do amor voltar.
para cada minuto de café e sossego,
tantos infernos você me fez atravessar.
numa balança injusta onde o peso maior é o da culpa
do insucesso de não fazer o amor vingar,
eu fico com o prato cheio da angústia
de saber que peso maior carrego comigo,
no querer refazer o que por dúvida foi desfeito
e sucumbiu na urgência de querer amar.

final blues

hey, baby, não adianta fazer assim
porque o tempo passou pra você
mas também correu pra mim.
e agora eu não quero mais seu destilado,
esse líquido quente biliático que me serviu.

não, não vem com essa de que nosso amor
foi tão lindo e tem uma vida pra contar.
porque dessa história já tô cheio demais
e vou vomitar todos os seus nãos.
baby, não sabe o que é ter de engolir essa droga
que você me injetou todo esse tempo.
o que você queria? caiu na corrente
tomou meu corpo e agora quer é sair
pelas orelhas…

nem vem com essa de romance, querida…
essa ferida abriu tem dias nessas horas
e eu não quero mais segurar na sua mão
e te ensinar a andar no labirinto que você
criou com pouco caso sobre nosso
caso de amor infindável…

hey, baby, tudo acaba enfim…
se havia alguma chance, pode esquecer,
você colocou um ponto final nesse blablabla
que eu chamei de amor.
se houvesse um jeito de curar toda a dor
ah eu teria encontrado,
mas até a esperança acabou
e mandou lembranças para o blablabla
que você calcificou.

não, querida, eu não vou te ensinar
a sorver o doce do vinho barato que escolhi
pra me embriagar bem longe da sua companhia.
não vem me ludibriar com seus olhos de preguiça.
a minha lucidez fica
no porta-retrato que deixo pra você
na saída.

todo amor tem fim

todo amor acaba
quando o mel da lua derrama
quando os panos quentes
formam lágrimas na cama.

todo amor se finda
quando a lua de mel termina
quando olha pro outro lado
a cada virar da esquina.

todo amor tem fim
quando fica atrás
de um sol insone.

todo amor tem fim
vai morrer em mim
quando a lua cheia some.

* Todo amor tem fim é música de Christiaan Oyens e letra de Lívia Gusmão