poeira estelar

peguei papel e giz de cor
pra desenhar no mural
o destino que queremos ter.
você falou da falta que faz o calor
do sol das seis e do nosso amar
com poros liberando o vapor.
tudo que sou capaz de fazer
para estar com você são milagres
que você nunca, nunca ouviu dizer.
buscar estrelas e anéis planetários
qualquer poetinha faz. Eu sou humana!
sou da rua bem longe da sua.
o que são algumas milhas de quadras
para quem arremessa no céu
constelações de estrelas do mar?
o santo move montanhas. Eu sou humana!
deslizo oceanos e arrasto países
com pranchas continentais.
eu laço dragões de luas perdidas
galáxias que nem chegaram a avistar.
tudo tão perto à minha medida…
eu sou humana!
coisa mundana essa de querer explicar
a mudança da trilha do vento
e a onda que vem arrastar…
tudo que foge aos olhos está pendurado
no cristal colorido e inquebrável
no teto da casa em que vamos morar
tudo que foge aos olhos está desenhado
com um sopro de poeira estelar
que faz você lumiar.

satélites

o pó das estrelas confunde sua visão
de que o universo conspira a favor
da sua estrada de constelação.
em mil galáxias já se perdeu
antes de encontrar sua rota-salvação
nessa nau deixada no espaço,
flutuando sem nenhuma intenção,
em desprezo aos satélites
que apontam a outra direção:
o caminho de corpos celestes
brilham para chamar sua atenção.
cuidado, menino astronauta do espaço!
você acabou de chegar ao lançamento
do mais novo cometa que vai cruzar
o seu céu por noites adentro,
mesmo que você não queira olhar.
nesse universo infinito de amor,
sempre pronto a acolher seus feridos,
o cometa aponta humilde
aquela luz que criou tudo, menino.
não se engane, você não pilota satélites,
nem estrelas, menino astronauta do tempo.
a luz que reflete sua nave,
menino, só ilumina o que tem dentro.