Mimimi: fui eu ou foi você?

Alguém me explica?

Quando atualizava meu blog diariamente com textos críticos, observações, poesias e afins, ninguém dizia que eu estava “floodando a timeline”, ou que eu estava de mimimi. Pelo contrário, ganhei leitores assíduos e amigos com isso.

Hoje, no Facebook, qualquer crítica ou observação (à TV, ao governo, ao vizinho) é entitulada de mimimi – aliás, um termo que nasceu nas redes sociais. “Fulano é um mala”, “Beltrano é exagerado”, “Sicrano é exibido” e nada de deixar de seguir as postagens dos malditos que insistem em destruir o seu café da manhã. Eu, por exemplo, não me faço de rogada: vou logo apertando o botão do eject-suma-já-da-minha-frente-seu-pau-no-cu. Solto meia dúzia de palavrões para desestressar e pronto, ufa, acabou o sofrimento.

Aprendi que quem determina o uso da ferramenta é o usuário. Se eu quiser, por exemplo, transformar meu Facebook num catálogo de produtos e presentes que só eu quero ver, é fácil. Se eu quiser usá-lo como fonte de pesquisa de mercado, idem. Não preciso nem ter amigos! Ah é, e nem inimigos! Claro, claro… eu mesma fico abismada com os diversos usos a que as pessoas são capazes de fazer, mas vá lá… cada um na sua.

Então, se esta é uma ferramenta de livre uso e destinação individual, por que cargas d’água continuar a ver o que não quer? Quem curtiu fanpage e aceitou amizades – voilà – foi você! A menos que seu intuito seja caçar todos os mimimis da rede pra ter repertório na mesa do bar. E, de antemão, peço desculpas se você se sente julgado, não é a intenção. Digamos que seja apenas um toque especial de quem não quer te ver necessitado de terapia, e nem que você se torne um ícone dos desencorajadores de possíveis escritores e blogueiros porque – é sério, juro – também tem coisas boas no Facebook.

Perdão

(…) Pois amar é rápido, já perdoar é demorado.
Amar é dar-se para alguém, já perdoar é anular a glória da vingança.
Perdoar não tem visibilidade, não tem vaidade, é a mais profunda solidão.
Há alguém que se dispõe a realmente perdoar? Com a renúncia e o desapego que existem dentro dessa palavra?
Não é pôr uma pedra sobre o assunto, é carregar a pedra nas costas de volta à montanha.
Não é perdoar para esquecer, mas para lembrar todo dia.
Não é perdoar como um favor, mas para talvez nunca colher os louros do gesto.

— Fabrício Carpinejar, sobre o livro “O perdão imperdoável”, de Maria Carpi

Alguns escritores me tiram do estranhamento. Continue lendo