simples demais

queria uma coisa simples, muito simples.
porque o amor é simples, mas não é comum encontrá-lo por aí.

queria ser o que fomos um dia, quando pouco se dizia.
quando pouco se fazia questão de entender.

queria paz e sossego, simplicidade e um pouco de poesia,
enquanto você fotografava a vida em silêncio.

quem sabe o tempo nos ajude, assim como um pouco de calma
e tranquilidade. um pouco sem guerra, sem agressão.

um pouco de amor e sexo à flor da pele banhado em saudade.
um pouco de tudo que a gente já sabe pra perder o medo da desilusão.

pra não pensar

a partir de hoje, minha única dificuldade
é decidir o que é melhor pra mim.
e isso eu devo somente a você,
que transformou minha vida
nessa coisa esquisita,
sem pé nem cabeça
e mil pesadelos medonhos
em que eu te vejo voltar.

se meu esforço pra não pensar é imenso,
o que pode estar forçando o desejo
é sua vontade de revirar o tempo,
esquecer os percalços,
passar por cima dos obstáculos
que o fizeram recuar.

mas, se quer saber o que quero
esqueça seu erro e olhe pra trás.
a estrada que caminhou, estou nela
no ponto em que me deixou.
se quer saber o que quero,
devolva-se
e eu digo que não mudou.

fio da meada

porque me sinto doente.
porque me sinto perdida.
porque estou tão nervosa.
porque não estou produtiva.
porque me sinto cansada.
porque estou exaurida.
porque perdi o fio da meada.
porque não lamento um só dia.
porque não me falta coragem.
porque sou igual e sou ímpar.
porque assumo minha parte.
porque não sou perda de vida.
porque dela nada se leva.
porque ela me leva vencida.
porque se hoje morro em combate
amanhã nasço com o dia.

ela lhe cai bem

a morte não perdoa os fracos de fé,
mas não isenta os que trabalham também.
a morte zombou da sua cara na sinagoga
e pegou sua alma como refém.
a morte colocou sua reputação em xeque
quando mostrou que você é fraco
e que ela é a reencarnação do bem.
agora me diz:
você escolheu a morte porque
ela é boa demais para si
ou porque ela lhe cai bem?

rubra revolta

em protesto ao dia que não chegou, hoje eu passei batom.

era um daqueles dias esperados. daqueles que se espera com certo desespero. o dia não chegou e eu, em protesto, assumi o vermelho. não gosto da cor da minha boca porque é rubra demais. o inferno na cara. hoje resolvi que não disfarçaria. sangrando estamos, eu e ela.