solar

sigo feliz de um sorriso brando
de amar os beijos da canção
e de mãos dadas com o sol
cravei bandeira no coração

num abraço longe de ciranda
nino sua alegria de menino
faço do seu, o meu caminho
dos seus olhos, estrada em clarão

feliz feliz da vida sua e minha
sei que tudo é certo e bom
faço da lei do bem-querer
a nossa desobrigação

simples demais

queria uma coisa simples, muito simples.
porque o amor é simples, mas não é comum encontrá-lo por aí.

queria ser o que fomos um dia, quando pouco se dizia.
quando pouco se fazia questão de entender.

queria paz e sossego, simplicidade e um pouco de poesia,
enquanto você fotografava a vida em silêncio.

quem sabe o tempo nos ajude, assim como um pouco de calma
e tranquilidade. um pouco sem guerra, sem agressão.

um pouco de amor e sexo à flor da pele banhado em saudade.
um pouco de tudo que a gente já sabe pra perder o medo da desilusão.

pra não pensar

a partir de hoje, minha única dificuldade
é decidir o que é melhor pra mim.
e isso eu devo somente a você,
que transformou minha vida
nessa coisa esquisita,
sem pé nem cabeça
e mil pesadelos medonhos
em que eu te vejo voltar.

se meu esforço pra não pensar é imenso,
o que pode estar forçando o desejo
é sua vontade de revirar o tempo,
esquecer os percalços,
passar por cima dos obstáculos
que o fizeram recuar.

mas, se quer saber o que quero
esqueça seu erro e olhe pra trás.
a estrada que caminhou, estou nela
no ponto em que me deixou.
se quer saber o que quero,
devolva-se
e eu digo que não mudou.

fio da meada

porque me sinto doente.
porque me sinto perdida.
porque estou tão nervosa.
porque não estou produtiva.
porque me sinto cansada.
porque estou exaurida.
porque perdi o fio da meada.
porque não lamento um só dia.
porque não me falta coragem.
porque sou igual e sou ímpar.
porque assumo minha parte.
porque não sou perda de vida.
porque dela nada se leva.
porque ela me leva vencida.
porque se hoje morro em combate
amanhã nasço com o dia.

ela lhe cai bem

a morte não perdoa os fracos de fé,
mas não isenta os que trabalham também.
a morte zombou da sua cara na sinagoga
e pegou sua alma como refém.
a morte colocou sua reputação em xeque
quando mostrou que você é fraco
e que ela é a reencarnação do bem.
agora me diz:
você escolheu a morte porque
ela é boa demais para si
ou porque ela lhe cai bem?