flores de mimos

eis a melancolia humana:
lamentar a morte dos vivos.
rolam, na face que não veja,
as lágrimas que correm o risco.

o que se condena com ferro,
em brasa, na pele, o castigo.
em outro peito, acalenta
o amar por tempos banido.

não me coloque em berlinda
por carregá-lo comigo.
a cada passo que dou,
germinam flores de mimos.

assim, em campos cinzentos,
floresço por todo o caminho
com a chaga aberta em aromas
de amor pleno e sozinho.

vou dar-te férias de mim

vou dar-te férias de mim
férias de tudo
que sou dentro de ti
fora do mundo

vou dar-te férias de mim
por um segundo
para que vejas quem sou
de longe e mudo

vou dar-te férias de mim
pra que te esqueças
que sou jovem hoje
e anoiteças

vou dar-te férias de mim
sente saudades
cala contigo esta dor
e a arremata

vou dar-te férias de mim
que não me vejas
por uma noite ao menos
e amanheças

vou dar-te férias de mim
sozinho fiques
até quando me cansar
deste limite

vou dar-te férias de mim
mas não te animes
porque amanhã hei de voltar
a teu convite

vou dar-te férias de mim
férias de tudo
e que o amor seja a sós
o meu reduto