sem tempero

como eles querem.
sou tão diferente disso
e tão igual também.
sou o vazio de mim
e sinto.
não dá pra ser tudo
ao mesmo tempo.
não tenho tempo para isso.
só tenho tempo para mim
e mesmo assim não me vejo.
um desencontro dentro de mim.
o sangue sobe,
o sapo desce,
sem sal, sem tempero.
sem nada enfim.
apenas me sobra a golfada
do câncer emanado.
um ódio, uma raiva
uma mágoa, uma palavra
um quê que não foi
não vai, só fica
e a boca amarga
do gosto do sapo
que engoli.

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