rompante

odeio tratamentos VIP’s.
pode parar com esse sorriso falso
e olhar meigo a se espreitar em sua verdade.
pode esquecer que eu existo,
apenas se lembre do que senti.
isso se seu umbigo permitir.
esqueça também minhas roupas pretas
e meu coturno surrado,
não mais surrado que meu coração mal amado.
esqueça também meu perfume,
há tantos na vitrine a se experimentar e levar.
esqueça, se puder, minha voz e minha letra,
que só o levarão às minhas linhas tortas.
por favor, faça um esforço –
sei que será difícil –
e esqueça minhas viagens verbais e mentais.
eu só conseguia ir tão longe porque tenho
muitas estradas dentro de mim.
esqueça meu mapa geográfico,
com as curvas alteradas pelo tempo,
não menos alteradas que meu comportamento.
pode parar com essa de estafa,
porque minha vida nunca comportou psiquiatra
e pílulas fabulosas que nos levam a um mundo cor-de-rosa.
respeite, meu mundo é azul.
esqueça os meus passos e minhas músicas,
minhas explosões verborrágicas de fúria e amor.
apenas lembre-se dos momentos culpados por cada rompante,
inclusive este, de desamor.

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