por uma vida menos ordinária

não há nada como se prostrar
diante da tevê, da privada ou do altar
solicitar é uma arte
implorar, prima invejosa,
coloca-se aos pés de qualquer um.
e na janela cada um que passa,
uma esmola pela graça do comum.
pesa-se o corpo para medir o caixão,
com espaço para a língua e o coração.
o filtro deveria estar lá,
mas nesse corpo não há.
pedir o amor e receber a dor pungente
não deprima, meu anjo, agüente
firme na esperança de um ser carente.
chore, querida, faz muito bem
o sal cozinha a pele
mas amanhã quem vê?
ninguém.
se acalente em seu sofá dormente
e queime a boca
numa xícara de café quente.
sabe, você até faz a gente rir
é boa pessoa, um pouco exigente
e seus ais são enredo de novela
que a censura desmente.
fale, fale, urre.
terá a piedade se tiver sorte.
grite, esperneie, esmurre
um dia haverá quem suporte
sua ira e sua morte.

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