flores de mimos

eis a melancolia humana:
lamentar a morte dos vivos.
rolam, na face que não veja,
as lágrimas que correm o risco.

o que se condena com ferro,
em brasa, na pele, o castigo.
em outro peito, acalenta
o amar por tempos banido.

não me coloque em berlinda
por carregá-lo comigo.
a cada passo que dou,
germinam flores de mimos.

assim, em campos cinzentos,
floresço por todo o caminho
com a chaga aberta em aromas
de amor pleno e sozinho.

4 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *