enterrado vivo

a solidão me acompanha
em mais uma taça vazia.
e essas pessoas que vejo
se sentem tão arredias
diante de mim, pobre eu
que nada quero do que tenham.
justo eu! que agora observo,
distante de tudo, o sossego.

minha taça transborda e seca
como a vida do rio que se vai.
eu não tenho nada com elas,
só quero que vivam em paz.
eu sozinha sou chama acesa
e queimo por conta sim.
eu não quero o que lhe pertence
porque é tão pouco pra mim.

o que eu quero é esse segundo
de silêncio que tenho comigo.
eu quero é descobrir o mundo
que está por trás do jazigo
que você insiste em regar
com desprezo diário em castigo.
o que eu quero é poder amar
aquilo que enterrou vivo.

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