É um gato

Em querer retratar o amor
Tive medo de ser clichê.
Busquei formas e fórmulas,
Novas menções do que já foi dito.
E na minha viagem preguiçosa,
Esticando-me em minha cama,
Vi meu gato preto no chão.
– Naquele momento,
O poeta de inveja se contorceu. –
Brinquei com sua ira.
Dei-lhe minha mão esquerda
E eis que entendi o amor:
Meu gato preto me afagava
E, ao mesmo tempo, mordia.

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