colonial demais

nos campos verdes de grama rasa,
eu caminhava sem qualquer pressa.
o céu laranja, nuvens paradas ,
o dia todo um fim de tarde.
ora grama, ora asfalto
naquelas ruas eu alternava.
olhava as casas, via castelos,
em construção, mini-palácios.
lagos de suco, peixes de plástico
flor de inverno abre em sorrisos
nas relações de convenção.
nesses dias de tardes infindas,
lembrava lugares de menos pompa
onde o céu não fingia sua cor.
eu me banhava em água fresca.
o sol ameno em sóis girava
e as primaveras beijavam flor,
onde a sombra do inverno não chegava,
pisoteada pelas formigas no chão.
hoje caminho por essas vias
coloniais e sem função.
olho sobre seus ombros e vejo
o simples e quente casarão.
olho de novo para mim e sei
que a vida toda passei em verão.

5 Comments

  1. O tempo passa, traz gente nova, a imaginação voa, uma pseudo saudade vaidosa e tresloucada: quem mandou ter imaginação pra pensar? Mas o tempo passa, a cidade fica refém do atual, e uma parte ou outra ainda colonial.

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