A era do faz-de-conta

Há quem faça da própria vida um faz-de-conta. Essas pessoas fazem de conta desde a mais ínfima das tarefas até mesmo as grandes coisas. Quer ver só? Tem gente que faz de conta que é amável, empático e politizado. Há os que fazem de conta que são responsáveis, que trabalham demais e que, uau, cuidam de toda uma rotina composta por jornadas duplas, triplas… Pessoas que fazem de conta que se preocupam com os seus, que sentem desejo e até que amam. Continue lendo

O que move a montanha?

O ser humano tem uma necessidade nata de provar o contrário para todo mundo. Muitos, frente a uma situação humilhante, vão lá e provam que não são “qualquer um”. Outros, imbuídos de um sentimento de raiva ou de justiça, promovem grandes mudanças em suas vidas. Ora passam o tempo tentando mover a montanha, ora é Maomé não está muito afim de se mexer.

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O poeta é o revelador da cegueira universal.

Emplastro silencioso

Não há nada que cause mais surpresa do que a tristeza cotidiana. Sabe, a tristeza não é algo que se escolhe e, como já escrevi, não é um motivo para competir. “Minha tristeza é maior do que a sua” não existe. Existe respeito à tristeza do outro e ao próprio sentimento de perda. Existe o tempo dado, necessário para superação. Existe paciência e compaixão, empatia – essa palavra usada tão pejorativamente hoje em dia.
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Robin Hood em Copacabana

Robin hood, o Príncipe dos ladrões

Originalmente, Robin de Locksley era filho do Barão Locksley e viajava com Rei Ricardo nas cruzadas. Foi preso e, ao fugir, retornou à Inglaterra, percebendo as mudanças: Príncipe John tomou o trono do herdeiro Rei Ricardo em virtude de sua ausência, aumentou os impostosmatou o pai de Robin, destruindo seu castelo. Sem ter onde morar, Robin passa a morar na floresta, onde conhece um grupo de homens e, ao lado deles, trava batalhas contra o Príncipe John: rouba-o e devolve ao povo o dinheiro da arrecadação de impostos. Assim, nasceu Robin Hood, o príncipe dos ladrões.

GLOSSÁRIO DE SENTENÇAS

1) Robin era filho do Barão: burguês
2) Príncipe John tomou o trono: governo golpista
3) Príncipe John aumentou os impostos: governo ganancioso
4) Príncipe John matou o pai de Robin: governo formado por criminosos
5) Robin mora na floresta: por saque e destruição causado pelo governo, o burguês passa a viver na periferia
6) Robin trava batalhas contra o Príncipe John ao lado dos homens da floresta: o burguês luta junto com o povo da periferia contra o governo ganancioso
7) Robin devolve ao povo o dinheiro da arrecadação de impostos: o burguês, agora conhecido como ladrão, devolve o dinheiro do povo para uma construção social mais justa

RESUMO

Robin fazia sua parte para a expansão do reino/povoado.
Robin foi roubado pelo governo, mesmo sendo filho do Barão.
Robin também perdeu tudo, mesmo sendo filho do Barão.
Robin não roubava o povo.
Robin não roubava quem pagava imposto.
Robin não roubava o dinheiro dos impostos para si.
Robin não matava nem para melhorar de vida, nem para ter o que lhe era de direito.
Robin estava ao lado do povo que trabalhava e que, com dificuldades, pagava os impostos ao governo.
Robin liderava um grupo de homens para retomar o dinheiro dos impostos e devolvê-lo ao povo.

APROFUNDANDO

Robin não roubava o celular, a bolsa, a carteira, a casa, o carro de quem, com dificuldades, pagava os impostos ao governo.
O governo, representado por Príncipe John, era golpista, ganancioso, criminoso e roubava tanto a burguesia quanto os mais pobres.

Conclusão

Todos podemos ser Robin Hood, desde que nossa mira esteja certa.

O achismo ultrapassa os níveis da intolerância

Sabe aquelas listas do tipo “Seu amigo é reaça se segue essas páginas no Facebook” ou “Seu chefe é homofóbico se segue essas fanpages”, criadas e disseminadas por sites diversos? Então, joga essa porcaria de lista no lixo. Deleta. Continue lendo

Mimimi: fui eu ou foi você?

Alguém me explica?

Quando atualizava meu blog diariamente com textos críticos, observações, poesias e afins, ninguém dizia que eu estava “floodando a timeline”, ou que eu estava de mimimi. Pelo contrário, ganhei leitores assíduos e amigos com isso.

Hoje, no Facebook, qualquer crítica ou observação (à TV, ao governo, ao vizinho) é entitulada de mimimi – aliás, um termo que nasceu nas redes sociais. “Fulano é um mala”, “Beltrano é exagerado”, “Sicrano é exibido” e nada de deixar de seguir as postagens dos malditos que insistem em destruir o seu café da manhã. Eu, por exemplo, não me faço de rogada: vou logo apertando o botão do eject-suma-já-da-minha-frente-seu-pau-no-cu. Solto meia dúzia de palavrões para desestressar e pronto, ufa, acabou o sofrimento.

Aprendi que quem determina o uso da ferramenta é o usuário. Se eu quiser, por exemplo, transformar meu Facebook num catálogo de produtos e presentes que só eu quero ver, é fácil. Se eu quiser usá-lo como fonte de pesquisa de mercado, idem. Não preciso nem ter amigos! Ah é, e nem inimigos! Claro, claro… eu mesma fico abismada com os diversos usos a que as pessoas são capazes de fazer, mas vá lá… cada um na sua.

Então, se esta é uma ferramenta de livre uso e destinação individual, por que cargas d’água continuar a ver o que não quer? Quem curtiu fanpage e aceitou amizades – voilà – foi você! A menos que seu intuito seja caçar todos os mimimis da rede pra ter repertório na mesa do bar. E, de antemão, peço desculpas se você se sente julgado, não é a intenção. Digamos que seja apenas um toque especial de quem não quer te ver necessitado de terapia, e nem que você se torne um ícone dos desencorajadores de possíveis escritores e blogueiros porque – é sério, juro – também tem coisas boas no Facebook.