Camille Claudel, a obra de Rodin

Amei
Amei a arte e suas formas
Perfeitas em músculos e dor
Amei o ator
O escultor e o compositor
Sofríveis com suas esposas e filhos
E seus desejos infindos por mim
Amei a terra, o barro e a argila
Presos em minhas unhas
Mais tarde cravadas em alguma pele ofegante
Amei este maldito anjo velho
Menino e capataz no olhar
Suas mãos esculpiram meus olhos
Meus seios e tudo o que puderam tocar
Meu coração doído
Deixado de lado depois do amar
Fitava-o com um mar à frente
Transbordando sempre em minha face
Tez alva, lívida e extasiada
Pelo toque do artista
Amei
Amei loucamente
E estou trancafiada até o fim
Atrás desta grade
Que me arruinou a vida
Que me fez a vida
Vida de artista
Morta e solitária
Com a casa na enxurrada
E os móveis pra fora
E minhas obras prontas
Derretendo na água
Amei e amo
Amarei o escultor bandido
Único pai de único filho que não nasceu
Sandices de uma mulher embriagada de vinho
Tinto meu que derramei há tempos
Derramo apenas lírios em meu próprio leito
Contemplando vida nova
Vida de artista
Louca e apaixonada
Pelo escultor de mim

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