café difícil

mulher é um bicho complicado.
se ela diz “quero café”
eu vou lá e eu mesmo faço.
se eu digo “dá uma dose”
ela diz “cê tá de porre”
vira a cara e sai correndo
eu aqui nesse tormento
e na mãe ela se apruma
achando que eu não tô sabendo
chega a noite e ela volta
com olhar indiferente
e eu com a cara ainda dormente
falo “amor, o café tá quente”
ela diz “depois eu bebo”
passa um tempo no banheiro
toma aquela chuveirada
e de lá ela sai molhada
e eu penso “eu não agüento”
vou voando para o quarto
com a caneca esfumaçada
ela vira sem toalha
com uma cara de safada
é aquele corre-corre
não há mais que me socorre
e depois do café frio
eu penso “agora eu falo”
“amor, dá uma dose”
e ela diz “agora pode”.

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